Depois de perder a filha em um acidente de trânsito em Americana, a moradora Jéssica Mayara Moraes produziu o grupo “Restitui”, voltado ao acolhimento de pessoas que enfrentam o luto. A iniciativa surgiu meses depois de o óbito de Lídia Moraes Aguiar, de 15 anos, vítima de uma colisão registrada na madrugada de 17 de fevereiro.
Outra adolescente, Maria Eduarda de Souza Almeida, também de 15 anos, morreu depois de dar entrada no hospital.
Acidente depois de bloco de Carnaval
O acidente ocorreu na Rua Igaratá, no Jardim Ipiranga, próximo da loja Bandini. Segundo informações do caso, o grupo retornava de um bloco de Carnaval em Santa Bárbara d’Oeste quando o carro bateu contra um poste.
Sete pessoas estavam no veículo, conduzido por um homem de 40 anos, pai de uma das adolescentes. Além das duas mortes, outras vítimas ficaram feridas, sendo que uma delas precisou passar por cirurgia.
Dor e recomeço
Meses depois de a tragédia, Jéssica relata as dificuldades enfrentadas com a perda da filha, enquanto continua cuidando das outras duas crianças. “Passar o primeiro Dia das Mães sem a Lídia foi a pior dor que eu já vivi. Ao mesmo tempo, eu precisei continuar sendo forte pelas minhas outras duas filhas, de dois e quatro anos. Tem dias em que parece impossível seguir, mas eu entendi que falar sobre a dor e dividir isso com outras pessoas ajuda a gente a respirar de novo”, afirmou.
A experiência motivou o desenvolvimento do grupo, com o objetivo de proporcionar um espaço de escuta e compartilhamento.
Acolhimento com apoio profissional
O grupo “Restitui” contará com acompanhamento da psicóloga Rúbia Fuganholi e terá como foco o suporte emocional e a ressignificação do luto. “Eu percebi que muitas pessoas sofrem caladas. Às vezes falta alguém para ouvir, para abraçar ou simplesmente entender a dor. O grupo nasceu porque eu também precisava disso e quero que outras mães, pais e famílias saibam que não estão sozinhos”, falou Jéssica.
Investigação continua
O caso continua sob investigação. As famílias pedem o indiciamento do motorista por homicídio com dolo eventual, quando existe entendimento de que o condutor assume o risco de matar.
Segundo relatos mostrados através da defesa das famílias, o veículo estaria em alta velocidade e realizando manobras perigosas antes da colisão.
Familiares e amigos seguem promovendo manifestações por justiça em Americana. Em uma das homenagens, Jéssica relembrou a relação entre as duas adolescentes. “Mesmo machucada, todas as vezes que a Lídia abria os olhos ela perguntava da Maria Eduarda. Elas eram amigas desde pequenas. Eu acredito que a ligação delas era muito forte.”
Como fazer parte
A primeira reunião do grupo será realizada no dia 6 de junho, às 13h, no Centro Comunitário São Luiz, localizado na Rua Francisco de Campos Filho, 225, em Americana. O encontro também contará com a participação da psicanalista Flávia Vaughn.
A participação é gratuita e aberta ao público. Informações poderão ser obtidas através do telefone e WhatsApp (19) 98985-1500.
Depois de perder filha em acidente, mãe cria grupo de apoio ao luto em Americana
Fonte: TodoDia


